Espaço Olavo Setúbal – Coleção Brasiliana Itaú

Local/Place Itaú Cultural, São Paulo Ano/Year 2014
Realização/Realization Itaú Cultural Colaboração/Collaboration Renata Fongaro e Charly Ho Arquitetura/Architecture Daniela Thomas e Felipe Tassara Fotos/Photos Andrés Otero

A concepção do espaço museológico Coleção Brasiliana partiu da ideia de abrigar obras antigas com uma cenografia contemporânea. O passado dialoga com o presente na forma de exibir peças de arte que durante anos estiveram espalhadas por diversas partes do mundo e agora estão reunidas permanentemente. Diferentemente da ideia de isolar a obra do tempo e do espaço e separa-la do seu entorno, o acervo é exposto sem moldura, por trás de vidros. Panos de vidro de piso a teto garantem a proteção do acervo sem criar uma distância entre o visitante e a obra. A utilização de acabamento em metal branco resulta em um espaço claro e amplo, ainda que fisicamente o edifício seja bastante estreito.

O conceito da luz foi pensado em harmonia com o design moderno e funcional da cenografia. A intenção foi integrar a obra e a arquitetura, sem isolar a arte do seu entorno. Na entrada, o grande hall de pé direito duplo exibe mais de 300 gravuras da flora e da fauna brasileiras, iluminadas de forma homogênea. O impacto luminoso e imagético que o visitante recebe prepara para apreciação da exposição.

Sendo o espaço muito claro, as paredes e vitrines são iluminadas e o entorno e o observador recebe apenas uma luz refletida e difusa, evitando ofuscamentos e sombras do observador na obra. A escolha por diferentes ângulos de incidência de luz cria camadas de visibilidade e destaca cada detalhe presente nas obras, como seus pigmentos, o tom amarelado e envelhecido e a dobra dos papéis, reforçando a percepção da passagem do tempo.

O projeto de iluminação recebeu Menção Honrosa na 2a Bienal Iberoamericana de Lighting Design no México em 2016.

The conception of the museum for the Brasiliana Collection started from the idea of housing old artworks with a contemporary scenography. The past dialogues with the present in the form of displaying pieces of art that for years have been scattered around the world and are now permanently assembled. Unlike the idea of isolating the work from time and space and separating it from its surroundings, the collection is exposed without a frame behind glass. Floor-to-ceiling glass panels guarantee the protection of the collection without creating a distance between the visitor and the work. The use of white metal results in a clear and wide space, although physically the building is quite narrow.

The concept of light was conceived in harmony with the modern and functional design of the set design. The intention was to integrate art and architecture, without isolating artworks from its surroundings. At the entrance, the large double-height hall displays over 300 homogeneously illuminated prints of Brazilian flora and fauna. The luminous and imaginary impact that the visitor receives prepares for appreciation of the exhibition.

The space is very clear, the walls and showcases are illuminated but the surroundings and the observer receive only a reflected and diffused light, avoiding glare and shadows of the observer in the artwork. The choice of different angles of light creates layers of visibility and highlights every detail in the works, such as their pigments, the yellowed and aged tone and the folding of the papers, reinforcing the perception of the passage of time.

The lighting design project received Honorable Mention at the 2nd Iberoamerican Lighting Design Biennial in Mexico in 2016.